História da Revisão

História da Revisão
Por André Thérive

Nossos antepassados tinham uma ortografia muito fantasista, mesmo os autores geniais. (…) E, ademais, eles contavam com os impressores [leia-se revisores] para porem seu texto em condições convenientes. (…) Basta lembrar o papel capital que desempenhava o corretor [revisor] antes do século XIX. Hauria ele, aliás, seus títulos de nobreza da própria tradição.

Desde o século XV os impressores [revisores] eram forçosamente a um tempo artesãos e eruditos, como sucessores, de resto, dos empresários da cópia manuscrita, os quais foram, fatalmente também, latinistas, graduados universitários, clérigos. O mais antigo nome conhecido dessa corporação é o de P. Prielis, de Mogúncia, que corrigiu o Psalterius benedictinus de 1459, impresso por Fust e Schoeffer, concorrentes de Guttenberg; e numerosos dignitários eclesiásticos figuram nos anais da correção [revisão] nos tempos dos incunábulos. (…) Encontraram-se, nos acervos das grandes bibliotecas, manuscritos que tinham sido preparados para a composição, na Alemanha, na Inglaterra, na França. Nada mais comovedor do que manusear esses documentos de uma profissão venerável, em que a intelectualidade e a técnica se unem mais visivelmente do que alhures. (…)

As correções são feitas com grafita ou a lápis vermelho. Sabe-se o bastante para afirmar que a correção [revisão] se tornou uma profissão desde fins do século XVI. Essa profissão alimentou, nos seus inícios, escritores notáveis; na França, Amyot, Gui Patin, Suard, Michelet, Proudhon nela se amamentaram.

Machado de Assis, Monteiro Lobato, pai e filho Veríssimo e Graciliano Ramos são alguns dos brasileiros ilustres que também trabalharam como revisores.

Monteiro Lobato sintetizou:“A luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico”.